O que é a jornada de trabalho?
[da jonia]

Menos que um dia de vida natural. Quem determina o menos é o capitalista, que tem por objetivo valorizar seu capital, de criar mais-valia, a maior massa possível de mais trabalho. Cabe a ele, como dono de sua mercadoria força de trabalho, determinar o quanto menos que um dia satisfará seu objetivo.
Marx escreve no "O Capital":
“O tempo durante o qual o trabalhador trabalha é o tempo durante o qual o capitalista consome a força de trabalho que comprou. Se o trabalhador consome seu tempo disponível para si, então rouba o capitalista”
O discurso contrario ao renda mínima se assemelha muito ao utilizado contra a nobreza nos primeiros passos da burguesia: enquanto recebem dinheiro, não trabalham, não produzem, não valorizam o capital. Parte do tributo pago pelo capitalista, que poderia ser investido na ampliação de sua produção, ou seja, em um novo processo de valorização de seu capital, é desviada para a sustentação de uma “classe parasitária”, improdutiva, dentro do modo de produção capitalista. Aqui, diferentemente do século XVII ou XVIII, não se trata de desperdiçar o tributo pago em comilanças, bacanais e especiarias do além mar; muito menos em entesourar esse dinheiro em palácios ou objetos de luxo: é desperdício de dinheiro com a parca reprodução de pessoas, reprodução de força de trabalho que não é utilizada no processo de reprodução e valorização do capital.
Aqui, também diferentemente do século XVII e XVIII, não se trata de Voltaire ou Rousseau, mas de João Melão e Diogo Mainardi.
O que isso implica?
Que parte do capital gasto na tributação não volta ao capitalista como mais-valia, apesar de ser utilizado na reprodução da força de trabalho, única mercadoria capaz de realizar tal façanha.
A partir do momento em que está garantida a mínima reprodução, a subsistência do trabalhador, será impossível que ele aceite trabalhar e ser explorado para produzir mais-valor, lucro, caso seu salário não seja maior ao que ganha do programa de assistência social.
Cria-se um exército de preguiçosos ou condições mais humanas de existência? Viver de favor do governo é pior do que viver de favor do dono de terra? Um da dinheiro o outro escraviza.
Diga-se de passagem, sobre a preguiça e mesmo o alcoolismo (além de tudo, gastam essa ajuda em álcool!). Diz João Bernardo:
"O alcoolismo, enquanto modalidade da preguiça, constitui uma forma individual e passiva de insatisfação".
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 17h20
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