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Da arte de falar mal (I)
[AOTC]

Il Faut Jouer La Comédie
JOGO DE CENA é uma locução consagrada em língua portuguesa e de uso corrente. É possível dizer que seu uso extrapola o traço técnico que a melhor caracteriza. Deste modo, posso dizer que “isso ou aquilo é jogo de cena”, sem estar preocupado com uma estréia qualquer, sem ser diretor ou ator, sem gostar, entender ou me preocupar com o que vem a ser teatro. Posso afirma isso simplesmente com a intenção de pôr em dúvida a verdade de uma situação (principalmente), o que significa que nesse caso “representação” é o oposto do verdadeiro. Curiosamente, a verdade do teatro é justamente essa: não ser “verdadeiro”, mas “teatral”. Reproduzo aqui a definição do dicionário, que indica a marca técnica da expressão:
1conjunto de movimentos (deslocamentos em cena, gestos, esgares fisionômicos) executados por um ator ao representar um dado papel
2conjugação dos efeitos obtidos por um diretor numa peça, como a marcação do elenco, a composição cromática dos figurinos, os cenários, a iluminação etc.
Neste caso, “jogo de cena” também pode ser entendido como as marcas estudadas e construídas para produzir o efeito propriamente teatral. Aparentemente, ninguém vai ao teatro para ver “a” realidade, o que não significa que o teatro não diga respeito à realidade (como, de resto, tudo), mas, pensando em uma situação trivial, representar uma prostituta não se reduz a contratar uma moça na Major Sertório – a moça em questão exerce seu ofício lá, na Major Sertório, não no Teatro Arena, logo, ela obedece outros imperativos, outro jogo de cena, e a transposição de um ao outro é muito menos óbvia do que sonha nossa vã dramaturgia.
Chego, enfim, ao início do meu assunto: JOGO DE CENA, o problema, a situação, os limites, tudo está no novo filme de Eduardo Coutinho. Digo filme, e completo: não seria documentário? A melhor resposta parece ser a negativa. Eduardo Coutinho não faz documentário, pelo menos o documentário que se esperaria. Eduardo Coutinho faz um cinema de ensaio para pensar o documentário, o que significa que de algum modo ele já está fora do documentário, que aqui é índice de uma problema maior que ele parece perseguir desde “Cabra Marcado para Morrer”: lá, com todo peso do cinema engajado, a tentativa de filmar a inédita organização dos camponeses sob as Ligas Camponesas desdobra-se na pergunta pelo o que está por detrás do cinema. Coutinho passa das personagens (“reais” ou “imaginárias”) às pessoas por detrás das personagens. Em JOGO DE CENA, coroando um percurso estético e crítico, faz como que o caminho de volta: pergunta como as pessoas transmutam-se em personagens. Da pergunta pela realidade por detrás de uma filme interrompido abruptamente pela própria realidade (o golpe de 64) à pergunta sobre como é possível representar a realidade, se há no fundo da película (mantenho o registro anacrônico) algo mais do que sais de prata, Coutinho constituiu um itinerário e persegue a mesma pergunta-problema, que se renova a cada tentativa de filmá-la. A longevidade de seu projeto, sua permanência a despeito das modas, das crises e das mudanças de moeda, tudo isto pode dar uma falsa impressão sobre a força do documentário brasileiro ou de que há um documentário brasileiro: plano fechado, depoimento, “close”, corta, plano aberto, situação. Tudo muito bem explicado. Não parece ser esse o caso.
Assim como o sertanejo pirrônico de “O fim e o princípio” que não aceitava perguntas que não pudesse responder com outras perguntas, o que se chama documentário, em Coutinho, é muito mais uma pergunta pelo documentário do que uma definição do documentário. O que fica sugerido é que o compromisso de Coutinho não é com uma forma, mas com uma forma de pergunta.
A permanência desse tema, sua transformação em legítima inquietação estética, parece-me muito mais idiossincrática que coletiva: Coutinho não deve ser entendido como patrono do documentário brasileiro, mas o problema por excelência do documentário brasileiro: como fazer um documentário brasileiro ignorando o não-documentário de Coutinho, that is the question. Daí que nele o improviso tenha algo de método: ele não aceita roteirizar sua matéria, e poderíamos dizer deste homem que faz filmes sui generis, que ele é que foi roteirizado pela matéria que filma, sua obra é essencialmente resultado de uma ordem de matérias.
O que haveria mais distante disso que o documentário de resultado, que não se furta em tornar ornamental a matéria, geralmente “exótica”, que pretende capturar, formatar, “roteirizar”, que estetiza para a crítica especializada a multidão das possíveis curiosidades para o nosso público do cinema: o louco, o pobre, o migrante, o analfabeto, o deficiente, (e em um país superficialmente anti-racista e profundamente racista) o negro: todos merecem ser vistos. A pergunta é, como, sob que condições? Truffaut, que era não apenas irretocável advogado do cinema de ficção como não perdia a oportunidade de detratar o “cinema documentário”, para ele simulacro de cinema, falso cinema, via no documentário a tentativa de domesticar aquilo que é o próprio do cinema, o fato de ser instrumento de invenção. Documentário para ele era esvaziar a ficção, esvaziar o possível em nome da realidade absoluta, definitiva, captada pelo fiador da verdade representado pelo documentarista: quem duvidaria do simpático, suado e bonachão proprietário de bar, segundo Trauffaut, a personagem ideal do documentário? E o problema de Truffaut era justamente esse: como é possível um cinema de certezas muito certas e verdadeiras?
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 18h31
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Da arte de falar mal (II)
(continuação...)
Conforme sua clivagem, o cinema abdicaria da sua mais estrita natureza: em vez de produzir imagens, ter-se-ia a impressão de “descrever a realidade”. Seria o documentário, enfim, o supremo fiador da realidade, da verdade verdadeira que nos libertará, o conseqüente passo do cinema engajado dos anos sessenta, comprometido com a realidade, para um cinema engolido pela realidade?
A resposta menos óbvia a estas ambivalências vem dos feitos do próprio documentarista: é ele que põe em dúvida o repertório de caras e bocas que captura não mais com a intenção de cercar-se das garantias da realidade, mas justamente de as pôr em dúvida. Eis o JOGO DE CENA.
Nesse filme inclassificável tudo se passe em um palco de teatro que tem ao fundo uma platéia vazia, pelo qual certo número de atrizes (famosas ou não) e pessoas comuns contam uma história pessoal diretamente a ele (de novo, de costas para o público do teatro, de frente para o público do cinema). E o que se vê? Para todos os casos, a verdade é jogo de cena, não menos verdadeira, não menos representada, isto é, as marcas de “realidade” captada pelo documentário são tão convencionais quanto as da ficção, e a verdade pode estar tanto em uma quanto em outra.
A conclusão óbvia a se tirar seria a de que tudo é relativo, de que diante de um outro qualquer, diante do espelho do banheiro, não há senão representação – mesmo para uma platéia ausente vivemos a constante vertigem da representação, de sermos personagens de nós mesmos.
Esta não parece ser, entretanto, a melhor nem a única conclusão. O jogo de cena, em Coutinho, é tanto instrumento estético quanto político: daí que filmando quem ele filma, seu caráter popular e inquietante. Ao aceitar esse JOGO DE CENA, Coutinho aceita que esse outro do documentário não se resuma a uma teoria, a uma definição estrita, nem se sujeite a violência de uma forma que lhe é estranha. Mas aceitar ir ao encontro do outro, aceitar ouvi-lo sem as garantias de uma firma reconhecida requer certa arte e exige certos riscos.
Em JOGO DE CENA há verdade, mas não aquela que se esperaria de um documentário qualquer, a verdade verdadeira do dono de bar. Há sim uma verdade superior e vaga, improvisada, um tanto selvagem: a verdade do outro. Dir-se-ia, em outros tempos, talvez mesmo a verdade de um compromisso: reconhecer que esse outro ideal do documentário, algum mordomo interessante, que diariamente invade nossas casas como um serviçal eficiente, mesmo idealizado pelas molduras do documentário, pode possuir astúcia suficiente para não se entregar inteiro e, enquanto resiste, sobrevive. O que deve parecer trivial – reconhecer o outro – tem nesse filme uma generosidade específica, e levando em conta a filmografia particular de Coutinho, diríamos, uma generosidade de classe: jogo de cena em Coutinho é uma forma estética de recusar a violência nua e crua de classe, tão brasileira, tão nossa. Eis seu JOGO DE CENA.
Esse outro ou essa imagem do outro que Coutinho persegue, tão estranhos ao respeitável público, revela que o melhor para ser filmado, a imagem que deveria interessar, está longe dos problemas que rodeiam as salas de exibição, que está escondido em algum lugar vasto e irremediavelmente perdido. Talvez a melhor imagem de nós mesmo seja ainda aquela que não se revela, aquela que o jogo de cena esconde, mas deixa que imaginemos.
Concluo com Macbeth:
Seyton : The queen, my lord, is dead
Macbeth :
She should have died herafter
There would habe been a time for such a word...
Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow
Creeps in the petty pace from day to day
To the last syllable or recorded time
And all our yesterdays have lighte fools
The way to dusty death. Out, out, breif candle!
Life's but a walking shadow; a poor player,
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing
(em tradução livre e macarrônica)
A rainha está morta, Alteza
Ela deveria morrer um pouco depois
Haveria tido tempo para aquela palavra
Amanhã, e amanhã, e amanhã
Marca sua enviesada senda dia a dia
até a última sílaba ou porção de tempo registrado
E todos nossos ontens têm luminosas tolices
(Até) o caminho da morte empoeirada. Fora, fora, efêmera vela!
A vida não é senão sombras penadas; um pobre ator
Que orgulhoso e desajeitado falha no momento de sua fala
E nada mais é ouvido: eis a fábula
contada por um idiota, pleno de som e fúria,
significando nada
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 18h26
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Rumo ao octa na Bialândia!

[taqueda]
Jamais fui à Islândia. Quero-a aqui como exemplo porque sempre ouvi falar dela como aquele país exótico, gélido e sem árvores, onde sobra tanta massa cinzenta e tão pouco de insumo natural à aplicação de seu potencial que nada poderia sair de lá sem a excêntrica sofisticação de uma Björk ou a complexidade de um tal Halldór Laxness.
Entretanto, tenho minhas razões para acreditar que se hoje eu fosse à Islândia, com minhas parcas habilidades futebolísticas, poderia angariar um lugar em um bom time amador com certa facilidade. Bastaria, no teste, dar asas à volúpia de uma tímida embaixadinha. Sim, senhores, sei disso pois, pelo que me diz sempre a Folha e a Rede Globo, aquele ainda é um dos poucos países onde ainda impera o velho folclore da seleção de futebol nacional formada por bombeiros, estivadores e ortodontistas.
Mas isso seria covarde. Ser considerado um Fenômeno em terra de “cegos” não seria para mim ou para qualquer ser que se preze um objeto de vanglória, afinal, nada teria sido obtido senão por um simples truque de mudança de contexto. Coisa que farei agora.
Entra ano, sai ano, e, apesar de toda a hipocrisia do discurso, aquele blá blá blá eterno de “não disporei jamais de um minuto sequer de meu tempo ao desfrute desse mar de vulgaridade, e tal”, lá vou eu bisolhar a já anacrônica fórmula do BBB, em sua oitava edição. Lá estão os mesmos quatorze fantasmas, agora travestidos de corpos cuja diferença para como os anteriores só se nota por alguma novidade nas caras cada vez mais angulosas ou nos apetrechos cada vez mais espetaculosos.
Uma coisa, entretanto, se mantém sempre impávida. É a figura de Pedro Bial.
Uma vez eu ouvi João Gordo comentar, mui sabiamente, ou talvez já em paródia a algum sábio a ele anterior, que a pior vergonha que podemos passar é aquela que passamos ao ver a vergonha do outro. É uma catarse às avessas, pois no lugar de purificarmo-nos, quase apodrecemos. Ele se referia ao inexplicável constrangimento que tomou conta de sua mente ao ver, pela televisão, Otávio Mesquita perguntar ao ex-presidente Carlos Menem o que ele achava de nosso Brasil-brasileiro.
Quando eu vejo a tão proclamada sub-literatura de Bial chover sobre os indefesos brothers, cuja massa cinzenta, via de regra, é claro, não consegue encher sequer uma cabaça, sinto vergonha por ele. Não sei explicar o por quê, mas sinto toda a vergonha que ele deveria sentir por supor de achar que aquelas citações etéreas de poetas e músicos, teriam o mesmo alcance que obtêm quando aplicadas ao irremediável contexto de uma casa decorada com toneladas de merchandising da construção civil e da pirotecnia eletrodoméstica, ou mesmo sobre uma dúzia de indivíduos que, no meu entender, ou viveram tão pouco que nada sabem do que viverão, ou viveram tanto em tão pouco tempo que, justamente por isso, já perderam sua sanidade.
Eu me constranjo por Bial e quase chego a sentir o prazer do sadismo em meio a essas situações. Mas tudo perde a graça quando deduzo o inevitável: Bial não se constrange como eu faço por ele. No lugar disso, ele reina. Chama então, sorriso maroto, a velha “espiadinha” e, não sei se por ordem do auto-falante local, obedecida por quatorze fiéis atores, ou se por espontâneo vislumbre, todos se põem a comentar, principalmente as gostosas, como não poderia deixar de ser: “nossa, como Bial é surpreendente...”
Bial não pode ser outra coisa: Fenômeno num mundo constantemente renovado com novas quatorze Alices. E é justamente por isso que eu arrisco meu palpite: O BBB só tem uma razão para se perpetuar. Bial precisa de um lugar para suas embaixadinhas. Um mundo, ou pelo menos um país, para chamar de seu.
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 18h19
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Obama Hussein e o Castelo Rá tim Bum

[o emilio]
Engraçado como nossas percepções da vida política “cotidiana” no estrangeiro têm diferentes alcances. Quando o italiano Prodi, figura apagada no “cenário internacional”, não recebe apoio do Senado e renuncia, uma crise se instala na Itália. A solução está por se apresentar, mas certamente não será nada muito diferente do que nos acostumamos a ver nos últimos anos. E certamente será algo muito diverso do que estamos acostumados no Brasil. E normal. Normal não só na Itália, mas em qualquer país com um sistema político (não só eleitoral) diferente do nosso.
Parece natural pra nós que em países desenvolvidos as coisas se apresentem diferentes, e diferentes as aceitamos. Assim assim. Na Itália, o cara renuncia porque não tem maioria, instaura-se a crise, convoca-se eleição, a qualquer hora, e outro assume. Poderíamos enumerar diversas outras situações, em que o estranhamento é semelhante. A maior democracia do Mundo resolve quem será seu governante (nosso portanto) em eleições indiretas. Sim indiretas. E nosotros vamos nos acostumando a pronunciar ‘caucus’, sem entender bulhufas de como funciona a coisa.
O engraçado é que quando se trata de qualquer coisa próxima, sudamérica, terceirão, junto a nós, não se coloca essa distância. A análise de qualquer evento político, na Venezuela, Bolívia, Argentina, ou qualquer outro vizinho, se dá sobre os parâmetros que temos. Não se dá a distância óbvia. E dá-lhe arnaldo jabor dizendo como as coisas são no congresso boliviano.
***
Começa bem teu dia quando a capa do caderno cultural traz um texto inteligente de jovem jornalista equipano desenvolvendo uma tese sobre os neo-baixinhos. Focando sua prosa nas músicas feitas para a criançada do Colégio Equipe, o tucano letrado vislumbra um horizonte azul para as peocupadas mães equipanas, que com o advento da tv a cabo passa a ter infinitas possibilidades de criar os pimpolhos nesse maravilhoso caldo cultural da aldeia global. Se as crianças de ontem cresceram ao som de xuxa e mara maravilha, hoje podemos nos deliciar com os incríveis discos educativos da família Tatit, e de todos os ex-integrantes da fantástica banda Rumo.
Canções que ensinam aos nossos pimpolhos as virtudes de escovar os dentes e a não cutucar as orelhinhas com cotonete, usando artifícios de animaizinhos inteligentes que falam a língua universal infantil.
Não há possibilidade de nostalgia para um macaco cansado que cresceu ouvindo o Jô cantando Planeta Doce. Mas me vem à cabeça uma exposição de Joaquim Torres Garcia que vi na província rebelde.O pintor, que dificilmente foi leitor de Paulo Freire, viveu às custas de uns brinquedinhos de madeira que eram montados das mais variadas formas. Numa explicação sobre esses transformables, o artista atacava a forma como se dava a educação ‘alternativa’, tratando crianças como seres débeis a quem se deve pegar pela mão e mostrar figurativamente um mundo colorido. A defesa de seu ganha pão é uma ode à inteligência da criança, levada nos tais brinquedinhos a deformar as figuras dadas, descostruindo a imagem do que se pretende entuchar-lhe.
Enfim, cada um com seu André Abjumra.
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 16h18
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Telegrafo número 1: Rio da Prata para Rio Tietê.

[dajonia]
Hola macaquitos de Brasil!
Aqui quem fala é el mono enviado especialmente para as terras do Prata. O calor tá pior do que o Rio de Janeiro, mas tudo bem...
Hoje em dia viajar para outro país já não tem a mesma graça. Os carros, as marcas, as comidas, as músicas, o comportamento, tudo é muito semelhante. É o que aqueles entusiastas do neoliberalismo chamam de "Aldeia Global", eu chamo de fim do mundo, uma merda mesmo.
Mesmo assim, são necessárias algumas adaptações, portanto aqui vai um causo curto.
Além de todo o listado acima, a Argentina tem problema de distribuição de energia (que como o Brasil é resultado do crescimento econômico e não do simples sucateamento do capital fixo) e, sim!, caos aéreo!
Atrasos, cancelamentos, e tudo o mais. A infra-estrutura é antiquada e não suportou o crescimento do setor. Governo e empresários, da mesma forma que no Brasil, visando a maximilização dos lucros, não titubearam em usar toda a estrutura até seu colapso. O resultado, já conhecemos: atrasos, confusão e a classe média, a ala vanguardista da barbárie de todas as sociedades atuais, dando aquelas demonstrações de má educação clássica. Agora, a diferença. Os funcionários da Aero Lineas Argentinas agüentaram, pacientemente, insultos e todas as sortes de má educação. A merda foi, quando um dos passageiros prejudicados pelos atrasos, partiu para a agressão física e tentou atacar um funcionário, um destes que trabalham no balcão. A reação? Braços cruzados e greve na Aero Lineas Argentinas até que ajam melhores condições de trabalho.
Tudo bem, é velho (e questionável) aquele senso comum da maior politização da população argentina, porém é engraçado pensarmos na atuação que os partidos de esquerda, classistas, representante dos trabalhadores, tiveram em relação à crise aérea brasileira. Não se ouviu ninguém levantar a voz em defesa destes trabalhadores. O que se viu, foi apenas mais uma ala do circo asqueroso que se montou ao redor das duas maiores tragédias aéreas do Brasil. (vale lembrar a participação de Luciana Genro na cpi do caos aéreo lendo a desnecessária caixa preta do acidente da TAM). Os pretensos defensores dos trabalhadores se colocaram a todo momento ao lado dos consumidores e contra o governo: nunca se posicionaram claramente contrários as empresas ou a favor dos trabalhadores dessas mesmas. Quando o direito do consumidor se torna bandeira da dita “esquerda de verdade”, esqueçam...
Escrito por REVÓLVER NA MÃO DO MACACO às 20h08
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